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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Dieta com baixa gordura ou baixo carboidrato para redução de peso: o que é melhor?




Há uma controvérsia entre a composição ótima da dieta para a perda e manutenção do peso. Alguns defendem a dieta baixa em gordura e alta em carboidratos, enquanto outros baixa em carboidratos. Em um estudo com chineses com sobrepeso (EBioMedicine, Wan et al.) houve a comparação de três tipos de tipos de dieta:
- 20% de gordura e 66% de carboidrato;
- 30% de gordura e 56% de carboidrato;
- 40% de gordura e 46% de carboidrato.
Após 6 meses a dieta baixa em gordura apresentou uma redução de peso maior de 0,5 kg em relação a dieta com 56% de carboidrato e 0,7 kg em relação a dieta com 46% de carboidrato. 
Os autores concluíram que a eficiência da dieta depende do metabolismo de glicose dos pacientes com sobrepeso e obeso. Indivíduos com glicemia normal perdem mais peso com dieta baixa em gordura e diabéticos precisam focar na quantidade, no índice glicêmico do carbo, montante de fibras. No estudo atual, o grupo era sensível a insulina, sendo mais responsivo a dieta alta em carboidratos. O autor que analisou o estudo enfatiza a necessidade de uma abordagem personalizada para definir a estratégia nutricional.
A dieta baixa em carboidratos ou low carb tem várias vantagens fundamentadas em estudos:
  • Ela aumenta o eixo AMPK - sirtuínas - PGC1-alfa promovendo maior atividade mitocondrial no músculo esquéletico e, facilitar maior utilização de gordura;
  • Promove uma maior perda de peso a curto prazo;
  • Controle o nível de insulina, facilitando o controle por doces e quebra de gordura e utilização - o nível alto de insulina rouba o fósforo da LSH (enzima que quebra gordura) e atrapalha o seu trabalho de quebrar gordura.
Mas nem todas as pessoas são responsivas a dietas low carb ou de muito baixa calória. Estudos de nutrigenética relacionam genes e nutrientes e mostram que alguns polimorfismos (alterações em genes) podem direcionar para um tipo ou outra de dieta - inclusive há alguns testes já disponíveis para identificar alguns polimorfismos e identificar melhor a dieta.

E você, que dieta percebe que te dá os melhores resultados? Já fez uma dieta personalizada para obtenção do seu peso saudável?

Referências:
ASTRUP, A. & HJORTH, M. F.,  Ebiomedicine, 2017.
CLOSE, G.L., HAMILTON, D.L., PHILIP, A., BURKE, L.M., MORTON, J.P. New Strategies in Sport Nutrition to increase exercise performance. Free Radical Biology and Medicine,:1-15, 2016.
STEEMBURGO, T., AZEVEDO, M. J., MARTINEZ, J.A. Interação entre gene e nutriente
e sua associação à obesidade e ao diabetes melito. Arq Bras Endocrinol Metab. 53(5): 497-508, 2009.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Bacon, o polêmico!

Posicionamentos têm mudado na área da nutrição e alimentação, e alguns alimentos e fitoquímicos que eram vilões começam a serem reconhecidos como coadjuvantes de uma boa saúde, como o ovo, por exemplo. E o bacon, o que vocês acham? Do ponto de vista nutricional, 100g de bacon contém 541 calorias, 14 g de gordura saturada (alto), 19g de gordura monoinsaturada (muita boa) e 4,5 g de gordura poli insaturada, além de 1717 mg de sódio (alto).  Sem dúvida há uma proporção grande de gordura monoinsaturada, mas temos que avaliar os problemas advindos dos outros componentes:

             Mesmo tendo uma recomendação de menos de 7 a 10% de gordura saturada pelas principais sociedades de cardiologia, hoje questiona-se a relação deste tipo de gordura com os eventos cardiovasculares. Todavia, sabe-se que o excesso de gordura saturada pode alterar a microbiota intestinal, e consequentemente ativar vias pró-inflamatórias, promover resistência insulínica, e aí sim, dislipidemias (alteração de colesterol) e obesidade.
             O excesso de sódio compete com a entrada de cálcio no túbulo renal para ser absorvido no osso, aumentando o risco de osteoporose. E ainda, pode agravar hipertensão arterial, promover inchaço, inflamar a célula de gordura dificultando o emagrecimento.

O bacon utilizado pela maioria dos brasileiros é obtido principalmente do porco, mas pode ser também feito do boi e do peru. A barriga do animal é fatiada com bordas regulares, curada com sal e nitrito e processada termicamente, a seguir é defumada e refrigerada para evitar crescimento de bactérias e prolongar o tempo de prateleira. Pode também conter em sua composição açúcares, fumaça de madeira e conservantes a base de ácido ascórbico (que minimiza os efeitos das nitrosamidas formadas) e sódio. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classificou a carne processada como um alimento que tem o poder de causar câncer colo retal, afirmando que a cada 50 gramas consumidas diariamente (o equivalente a duas fatias de bacon, por exemplo) aumenta o risco deste tipo de doenças em 18%.  O grande problema é que as proteínas se decompõem em aminas que se combinam com os nitritos para formar nitrosaminas, muitas das quais forma substâncias cancerígenas nos animais testados. Além de formarem no processamento hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que são cancerígenos. Poderíamos usar o bacon não curado, para minimizar esses problemas, mas no dia a dia o que encontramos nos pontos de venda é o curado. Logo por todas as razões citadas, se você é fã incondicional do bacon, pensando no equilíbrio e na boa saúde, diminua a frequência e a quantidade semanal.