terça-feira, 5 de setembro de 2017
Dieta Paleolítica: há vantagens em adotá-la como estilo de vida?
Essa dieta ou estilo de vida baseia-se na alimentação de nossos ancestrais de 10.000 anos atrás, com a argumentação que a evolução para novos alimentos cessou nessa época e que a adieta atual e estilo de vida contribuíram para as atuais doenças da civilização. Os apoiadores dessa dieta relatam que ela contribui para a redução de peso e correção de alterações metabólicas. A preocupação é quanto a adequação de cálcio, já que a ingestão de alimentos fontes, como os lácteos, não é permitida e, mesmo outras fontes vegetais de cálcio, tem a ingestão limitada. Há questionamentos quanto a sua evidência histórica, bem como as alegações a saúde. Alguns antropólogos dizem que hábitos são aprendidos por mecanismos comportamentais, sociais e fisiológicos e questionam essa dieta nos dias de hoje. Há alguns estudos comparativos, inclusive com dietas mediterrâneas, que mostraram vários benefícios com o uso dessa dieta, tais como:
- maior perda de peso (outros estudos, mostraram não haver diferença);
- melhora do funcionamento da insulina que regula a glicemia (açúcar) no sangue;
- redução da cintura abdominal (quando aumentada piora o risco para diabetes e doenças cardiovasculares);
- melhora dos lípides (gordura) no sangue;
- melhora da pressão arterial;
- melhora da saciedade, provavelmente por conter mais proteína.
Outros estudos, não mostraram benefícios na melhora da permeabilidade intestinal (o intestino mais permeável torna a pessoa mais suscetível a doenças), nos processos inflamatórios ou mesmo no cortisol salivar (indicador de estresse). E ainda, apontaram a dificuldade de adesão e seu custo maior.
Nessa dieta, os cereais como aveia, cevada, arroz, milho, bem como os lácteos estão proibidos, sendo permitido as raízes, as oleaginosas (grupo das castanhas), as carnes, aves, peixe, frutas, hortaliças. Preconiza-se ter uma alimentação o mais natural possível, evitando os alimentos processados. Suas características nutricionais é a riqueza de: antioxidantes, fibras, fitoquímicos, vitaminas; além de ser reduzida em sódio. A suplementação de cálcio deve ser avaliada individualmente.
É importante enfatizar que essa dieta não é low carb (baixa em carboidratos), pelo contrário, na era paleolítica havia uma grande ingestão de frutas, mesmo assim o funcionamento da insulina era ótima. É uma dieta hiperproteica, cujo objetivo não é especificamente a redução de peso e sim a promoção da saúde. Mais estudos se tornam necessários para avaliar a eficácia dessa dieta. Cuidado com as adaptações modernas dessa dieta! Alguma dúvida, pergunte-me aqui!
Até mais!
Esse post se apoiou na seguinte literatura:
PITT, C.E. Cutting through the Paleo hype: The evidence for the Palaeolithic diet. AFP.; VOL.45, (1-2): 35-38, 2016.
lINDEBERG, S. Palaeolithic diet (‘‘stone age’’ diet). Scandinavian Journal of Nutrition; 49 (2): 75-77, 2005.
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
Nutrição periodizada para atletas: o que é isso?
Nutrição periodizada são
estratégias que usam a combinação de treino e nutrição ou nutrição apenas, com
o objetivo de obter adaptações para otimizar a performance no exercício. As
respostas adaptativas ao treino são determinadas pela duração, intensidade,
tipo de exercício, frequência do treino, bem como a qualidade e quantidade de
nutrientes no pré e pós exercício. As adaptações podem ser ampliadas ou diminuídas
pela nutrição. Por exemplo, o baixo fornecimento de proteína pós exercício, faz
com que a síntese proteica seja menor; a disponibilidade baixa de carboidrato
também produz adaptações no músculo; altas doses de antioxidantes têm o
potencial de reduzir adaptações importantes e fisiológicas no treino e,
dependendo da característica do treino não é indicado sua utilização após. Algumas
revisões têm discutido os benefícios de um treino baixo em carboidrato, outros
com alta ou ambos, bem como o impacto dos antioxidantes na biogênese
mitocondrial (para maior produção de ATP e utilização de gordura). A adequação
vai depender do objetivo de cada ciclo de treino do esportista ou atleta, se é
necessário um peso menor, armazenar mais glicogênio (carboidrato no músculo),
dentre outros.
A nutrição de um esportista
e atleta, assim como o exercício, depende de ser treinada. Algumas pessoas têm
dificuldade de beber líquido durante o treino pela limitação da capacidade
gástrica e essa situação precisa ser treinada, assim como alguns não toleram o
uso de gel durante, também é uma condição adaptativa a facilidade na sua
utilização.
Vou citar algumas
estratégias de nutrição periodizada que devem ser adaptadas por um profissional
especializado de acordo com o momento de treino, sendo que algumas têm mais
evidências científicas que as outras:
- Treino low: o objetivo é
treinar com baixa quantidade de carboidrato.
a) Se treino duas vezes ao
dia, pode-se limitar o fornecimento de carboidrato durante as sessões com o
objetivo de depletar o glicogênio muscular e estimular a expressão de genes
relevantes.
b) Treino em jejum para
depletar o glicogênio do fígado.
c) Baixa disponibilizade de
carboidrato durante o treino.
d) Sleep low: ir para cama
com baixa disponibilidade de carboidratos e no dia seguinte treinar mais tarde.
- Baixo carboidrato e alta
gordura: diminuir os estoques de carboidrato a longo prazo;
- Treino com alta quantidade
de carboidrato no músculo e no fígado, focando a reposição pós exercício;
- Treino de conforto
gástrico: aumentar o volume de alimentos independente da presença ou não de
treino;
- Treino de esvaziamento ou
absorção gástrica: uso frequente de refeições para aumentar o esvaziamento ou capacidade
de absorção de nutrientes e fluídos e diminuir o desconforto;
- Treino de nutrição em
prova: seleciona uma prova que não seja a mais importante para treinar todas as
estratégias de nutrição;
- Treino em estado desidratado:
limita-se o uso de líquidos para treinar a desidratação sem grandes
consequências. Eu, propriamente, acho essa estratégia um pouco perigosa;
- Suplementos que permitem
maior tempo de treino, que iniciam ou aumentam a sintesa proteíca e aqueles que
aumentam a biogênese mitocondrial.
A utilização de quaisquer
desses métodos depende do objetivo individual e não há um único que atenda a
todas as necessidades. Com o avanço de estudos
e melhor entendimento das bases moleculares das adaptações ao treino a
nutrição periodizada se torna mais fácil de ser aplicada. Lembrando, que
independente do método, deve haver acompanhamento pelo treinador e por um nutricionista.
E você, está adequando a sua
nutrição ao seu ritmo de treino?
Referência:
JEYNKENDRUP, A. E. Periodized Nutrition for Athletes, Sport Med. 47(1): S51-S63, 2017.
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segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Durante o exercício: o que comer e em que momento?
Para manter o nível de
energia durante a sessão de exercício não depende apenas do que comer durante,
mas também da ingestão de alimentos realizada no dia anterior. Se o seu jantar
faltou nutrientes, com certeza, irá repercutir no exercício do dia seguinte.
Para você ter uma ideia na primeira hora de exercício você pode depletar totalmente
a sua reserva de carboidrato no músculo e com isso aparecer a fadiga. Pense no
quanto poderia aproveitar os benefícios do exercício ou mesmo em uma prova
ganhar alguns minutos caso tivesse se alimentado adequadamente.
Siga as minhas dicas a
seguir e tenha mais energia:
ü No dia
anterior faça um jantar bem composto por hortaliças, uma porção de carne,
frango ou peixe e uma porção de carboidrato (batata, arroz, macarrão, mandioca,
fruta);
ü Antes
do exercício coma uma fonte de carboidrato, pode ser simplesmente uma fruta,
evite alimentos processados, como biscoitos, que são pobres em nutrientes. Você
pode associar alguma gordura para retardar a utilização do carboidrato no
músculo como óleo de coco ou uma pasta de oleaginosa (castanha, amendoim,
macadâmia, abacate, etc);
ü Se o
exercício ter uma longa duração, acima de 1h30:
na primeira hora, você pode usar novamente uma fruta ou um suplemento a base de
carboidrato em pó ou mesmo repetir a fonte de gordura – o óleo de coco, por
exemplo, fornece uma energia rápida para continuar a realização do exercício;
Lembrando que esses ajustes
são individuais, pois tem pessoas que não conseguem comer nada ao se levantarem
ou mesmo, dependendo do treino, são bem adaptadas a treinarem apenas com fonte
de gordura antes e durante o treino.
Para adequação do seu cardápio
ao seu tipo de exercício, intensidade e duração, marque uma consulta no (11) 98281-3511.
Terei prazer em te ajudar!
terça-feira, 15 de agosto de 2017
Dieta com baixa gordura ou baixo carboidrato para redução de peso: o que é melhor?
Há uma controvérsia entre a composição ótima da dieta para a perda e manutenção do peso. Alguns defendem a dieta baixa em gordura e alta em carboidratos, enquanto outros baixa em carboidratos. Em um estudo com chineses com sobrepeso (EBioMedicine, Wan et al.) houve a comparação de três tipos de tipos de dieta:
- 20% de gordura e 66% de carboidrato;
- 30% de gordura e 56% de carboidrato;
- 40% de gordura e 46% de carboidrato.
Após 6 meses a dieta baixa em gordura apresentou uma redução de peso maior de 0,5 kg em relação a dieta com 56% de carboidrato e 0,7 kg em relação a dieta com 46% de carboidrato.
Os autores concluíram que a eficiência da dieta depende do metabolismo de glicose dos pacientes com sobrepeso e obeso. Indivíduos com glicemia normal perdem mais peso com dieta baixa em gordura e diabéticos precisam focar na quantidade, no índice glicêmico do carbo, montante de fibras. No estudo atual, o grupo era sensível a insulina, sendo mais responsivo a dieta alta em carboidratos. O autor que analisou o estudo enfatiza a necessidade de uma abordagem personalizada para definir a estratégia nutricional.
A dieta baixa em carboidratos ou low carb tem várias vantagens fundamentadas em estudos:
- Ela aumenta o eixo AMPK - sirtuínas - PGC1-alfa promovendo maior atividade mitocondrial no músculo esquéletico e, facilitar maior utilização de gordura;
- Promove uma maior perda de peso a curto prazo;
- Controle o nível de insulina, facilitando o controle por doces e quebra de gordura e utilização - o nível alto de insulina rouba o fósforo da LSH (enzima que quebra gordura) e atrapalha o seu trabalho de quebrar gordura.
E você, que dieta percebe que te dá os melhores resultados? Já fez uma dieta personalizada para obtenção do seu peso saudável?
Referências:
ASTRUP, A. & HJORTH, M. F., Ebiomedicine, 2017.
CLOSE, G.L., HAMILTON, D.L., PHILIP, A., BURKE, L.M., MORTON, J.P. New Strategies in Sport Nutrition to increase exercise performance. Free Radical Biology and Medicine,:1-15, 2016.
STEEMBURGO, T., AZEVEDO, M. J., MARTINEZ, J.A. Interação entre gene e nutriente
e sua associação à obesidade e ao diabetes melito. Arq Bras Endocrinol Metab. 53(5): 497-508, 2009.
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Emagrecimento: muito mais que comer nutrientes
Você há anos tenta emagrecer
e parece que por um tempo tem sucesso, reduz o peso com a nova dieta e depois
de alguns meses, recupera o peso original. E isso cansa, porque parece que é um
esforço sem resultado, que desmotiva e que chega a ser desesperador, não? Pense
no que está fazendo de errado. Afinal, o sucesso de emagrecer é reaprender a
comer, não tem tempo de validade, é para a vida toda. Dietas malucas além de
não dar os nutrientes que precisa, pode agredir o seu metabolismo e fazer com
que engorde muito mais rápido. Você opta pela saúde e bem estar ou pela doença?
Pense no que você poderia fazer para reverter o quadro, aonde que você quer
chegar.
Associamos a alimentação
desde criança com a compensação ou com a punição. A mãe já fala para a criança:
“se comer tudo, ganha a sobremesa”. E você após um dia de estresse fala: “hoje
tive um dia tenso, mereço uma barra de chocolate”. E muitas vezes você engorda
para manter as pessoas afastadas de você, inconscientemente, porque acha que
não merece ser feliz. Parece algo doido, mas a alimentação vai muito mais que
nutrientes. E o emagrecer nesse caso não é só reapreender a comer, mas
identificar o que é importante para você, é reaprender a se gostar, é criar
estratégias para dar certo o processo. É procurar ajuda, associar o psicológo,
o educador físico, além do nutricionista.
E como falamos em reaprender
a comer, que tal tomar algumas atitudes?
·
Como está a sua ingestão de frutas ao longo
do dia? Se nenhuma ou uma, que tal incluir uma ou duas ao dia? Se não há variedade,
que tal experimentar novas, além da laranja, maça e banana? Já deixar lavada
para facilitar o consumo, principalmente para levar para o trabalho. O mesmo
serve para a salada.
·
O consumo de mini salgadinhos é frequente na
hora do almoço? Que tal estipular uma vez por semana aquele preferido.
·
Tomar refrigerante é uma constante em sua
vida? Também estabeleça um dia para isso ou opte por sucos menos concentrados
em carboidratos, como o limão e maracujá (dispense os sucos prontos mesmo os 0
calorias ou chás industrializados).
·
Tem um monte de alimentos ditos saudáveis que
não gosta? Que tal estar aberto para novas experiências, ser resiliente na
empresa é “fácil” e para o seu bem estar? Sabia que ao se expor por dez vezes a
um alimento que não gosta, o seu paladar já muda e aquele alimento com gosto
“ruim” começa a ser suportável.
·
Observe o seu comportamento no final de
semana, a quantidade da pizza, o quanto toma de álcool, a sobremesa na sogra ou
na casa da mãe, como se comporta no restaurante. Há algo de diferente que possa
fazer?
Defina um projeto de vida
para você relacionada a mudanças alimentares e me conte aqui!
Estou na torcida!
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wellness
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Antioxidantes em atletas de endurance
Exercícios intensos aumentam a liberação de
radicais livres ou espécies reativas de oxigênio. Este aumento pode modificar
as gorduras, proteínas, carboidratos e estruturas celulares do corpo. Essas
modificações podem aumentar o risco de aterosclerose, disfunções cardíacas, a
forma como a insulina é utilizada e outros prejuízos à saúde. Alguns nutrientes
antioxidantes, como vitamina C, vitamina E, beta caroteno e selênio podem
reduzir esses efeitos ou mesmo previní-los. Antioxidantes trazem benefícios
para performance, saúde e recuperação, prevenindo dano oxidativo em atletas com
grande volume de exercício. Apesar dos benefícios dos antioxidantes, as
dosagens ingeridas não devem ser acima das doses de segurança (UL), pois podem
exercer efeitos pró-oxidantes ao invés de antioxidantes. As adequações no plano
dietético são necessárias, considerando-se o tipo e intensidade do treino,
intensidade e variabilidade individual.
Referência:
WILLIAMSON, E. Nutritional implications for
ultra-endurance walking and running events. Extrem Physiol Med. 5(13):
1-18, 2016.
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Vitaminas e minerais em atletas de endurance
Para o atleta de endurance ou ultra-endurance, estes
micronutrientes são importantes para a produção de energia, síntese de
hemoglobina, manter a saúde óssea, adequar a função imune e proteger o corpo
do estresse oxidativo. Além disso, são importantes para a síntese,
recuperação e adaptação ao exercício. A característica do tipo de exercício
destes atletas aumenta o uso e a perda desses nutrientes, resultando em uma
demanda aumentada. Preste atenção no fornecimento deles, particularmente o
cálcio, a vitamina D, C, E, as vitaminas do complexo B, o ferro, zinco, bem
como, o beta caroteno e selênio, que também tem propriedades antioxidantes. A
deficiência de cálcio e vitamina D, por exemplo, aumenta o risco de baixa densidade óssea e as
fraturas de estresse. As vitaminas do complexo B têm uma função na produção de
energia, na construção e reparo de massa muscular e, alguns atletas dependem de
doses acima da recomendação. A deficiência de folato, B12 e ferro pode levar a
anemia, aumentar a fadiga e interferir na performance, pois interferem no
transporte de oxigênio nas células. Além disso, o tempo aumentado neste
esporte, promove aumento da hepcidina e interferência na absorção intestinal do
ferro. O zinco tem um papel na reparo muscular, metabolismo de energia e na
função imune - sua deficiência está assoacida a alterações nos hormônio da tireoide afetando metabolismo, performance, além da redução da função cardiorespiratória,
força muscular e endurance. O magnésio está associado à funções nervosas e
sistema músculo-esquelético, é facilmente perdido no suor e o diagnóstico mais
fácil da sua deficiência é a presença de câimbras. Logo percebemos que
adequações se tornam necessárias nesse esporte. Procure um nutricionista para individualização!
Referência:
WILLIAMSON, E. Nutritional implications for
ultra-endurance walking and running events. Extrem Physiol Med. 5(13):
1-18, 2016.
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